A Fundação Índigo, braço de formação política do partido União Brasil presidida pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto, tornou-se alvo de uma denúncia protocolada junto ao Ministério Público. A representação aponta suspeitas de desvio de recursos públicos e falta de transparência no balanço financeiro referente ao ano de 2025.O caso, revelado inicialmente pelo site Metrópoles, foca em gastos milionários que não teriam sido devidamente comprovados. O ponto central da controvérsia é a rubrica de “serviços prestados por terceiros”, que registrou o uso de R$ 5,9 milhões em dinheiro público sem a apresentação das notas fiscais correspondentes que detalhassem o destino da verba.Racha no conselho fiscalAs inconsistências geraram uma divisão interna no conselho fiscal da entidade. O balanço foi aprovado apenas parcialmente, sob protestos.Pela aprovação: O deputado federal Elmar Nascimento e o ex-deputado Pauderney Avelino votaram a favor das contas.Pela rejeição: Os conselheiros Ricardo Motta e Rodrigo Furtado votaram contra e decidiram formalizar a denúncia ao MP, alegando que não tiveram acesso aos documentos comprobatórios das despesas.Missão institucional em xequeAlém da falta de notas fiscais, outro dado do balanço financeiro chamou a atenção dos órgãos de controle. Embora a Fundação Índigo tivesse em caixa cerca de R$ 54,6 milhões provenientes de recursos públicos, o investimento em sua atividade-fim — a formação política de novos líderes e gestores — foi considerado irrisório.Segundo o documento, a fundação destinou apenas R$ 26,4 mil para cursos e treinamentos em 2025. O valor representa uma fração mínima do orçamento total, contrastando com os milhões gastos na categoria de serviços de terceiros sem discriminação.”A ausência de documentos comprobatórios impede a verificação da legalidade e da finalidade pública dos gastos”, afirmaram os conselheiros que assinam a denúncia.
